
O banco da praça onde ninguém conversa mais
Era como se existissem muros invisíveis separando pessoas que dividiam o mesmo espaço. Fiquei pensando que as praças nem sempre foram assim.

Era como se existissem muros invisíveis separando pessoas que dividiam o mesmo espaço. Fiquei pensando que as praças nem sempre foram assim.

Há um movimento crescente de brasileiros com mais de 50 anos — especialmente aposentados, profissionais que trabalham remotamente e pessoas em fase de transição para a aposentadoria — escolhendo Portugal para viver.

Nesta semana que passou, resolvi organizar uma gaveta que há anos vinha sendo fechada sem muita convicção. Dessas que todos temos em casa, onde vão parar objetos que ainda não tiveram coragem de virar lixo. Pilhas sem carga, parafusos soltos, moedas esquecidas, canetas que já não escrevem e, espalhadas entre tudo isso, um pequeno molho de chaves.

O chamado “divórcio grisalho”, expressão usada para definir as separações que acontecem após os 50 ou 60 anos de idade, vem crescendo de forma significativa no Brasil. O fenômeno acompanha mudanças profundas na sociedade, na expectativa de vida e na maneira como homens e mulheres enxergam o casamento.

Outro dia, um rapaz me pediu um conselho. Não era meu filho, nem sobrinho, nem alguém da família. Era um colega mais jovem, atravessando uma dúvida profissional. Depois de alguns minutos de conversa, perguntou: “Se fosse você, o que faria?”

Quando somos jovens, acreditamos que a inteligência está em permanecer. Ficamos até o fim da festa. Até a última música. Até a última conversa. Até o último minuto. Como se sair antes significasse perder alguma coisa importante.

Existe também um aspecto psicológico. Muitas pessoas passam a valorizar mais a tranquilidade e a privacidade, selecionando cuidadosamente com quem desejam conviver.

Quando decidiram entrar no processo de adoção, Simone Kaminski e Wilson Carlos Rossi já haviam ultrapassado os 50 anos. O casal, de Londrina (PR), optou por um caminho que muitos pretendentes ainda evitam: a adoção de adolescentes.

Durante boa parte da vida, fomos educados para consertar as coisas. Sapatos ganhavam sola nova. Guarda-chuvas voltavam a abrir. Relógios eram desmontados peça por peça. Liquidificadores atravessavam décadas fazendo barulho na cozinha.

A morte é a única certeza da vida. Ainda assim, poucas coisas provocam tanto medo, angústia e inquietação quanto a ideia de deixar de existir. Desde os tempos mais remotos, o ser humano tenta compreender o significado da morte e encontrar formas de lidar com ela.
Iniciei minhas atividades como jornalista na década de 70. Trabalhei em alguns dos principais veículos nacionais, como O Estado de S. Paulo e Jornal de Brasil. Mas a maior parte da minha carreira foi construída no exterior, trabalhando para a emissora britânica BBC, em Londres, onde vivi durante mais de 16 anos. No retorno ao Brasil, criei um jornal, do qual fui editora até me voltar para a internet. O 50emais ganhou vida em agosto de 2010. Escolhi o Rio de Janeiro para viver esta terceira fase da existência.
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