
Golpes explodem no Brasil e causam prejuízo de bilhões. Idosos são principal alvo
Os números revelam não apenas a dimensão do problema, mas também uma mudança profunda na forma como criminosos atuam no ambiente digital.

Os números revelam não apenas a dimensão do problema, mas também uma mudança profunda na forma como criminosos atuam no ambiente digital.

A dificuldade de Alberto, de 80 anos, não começou por falta de interesse. Começou no ponto em que muita gente trava: a biometria facial, os códigos de confirmação, as etapas sucessivas para acessar o Meu SUS Digital, o gov.br, o Meu INSS e o aplicativo do banco. Em vez de facilidade imediata, vieram tentativas frustradas, insegurança e a necessidade de recorrer aos filhos, que nem sempre podiam auxiliá-lo no momento em que precisava.

A senioridade aos 50 tem um traço curioso: ela chega antes da nossa autorização. Ninguém consulta. Ninguém pede documento. Ninguém entrega crachá. Um dia, simplesmente, alguém mais jovem interrompe a própria confusão e pergunta, com respeito desconcertante: “O que você faria no meu lugar?”

As pessoas, de maneira geral, têm medo de envelhecer, não só porque significa estar mais próximas do fim, mas, principalmente, por causa da valorização exagerada da juventude que ainda existe no Brasil, embora já não sejamos mais um país jovem. Ao contrário, a população brasileira envelhece tão rapidamente que, a previsão é que, já em 2030 seremos o quinto país mais envelhecido do planeta.

Foi depois dos 50 que comecei a suspeitar de uma coisa importante: talvez a civilização tenha exagerado um pouco na ideia de que estar presente é sempre uma virtude.
Nem sempre é.

“Eu tinha 57 anos quando entendi que não era ciúme, era vigilância”, conta Marta, nome fictício, administradora, moradora São Paulo. Ela descreve um casamento longo que, por fora, parecia estável. Por dentro, o controle foi fechando as saídas: cobrança por horários, críticas que viravam humilhações, brigas por dinheiro, pressão para reduzir contato com amigas. “Quando eu falava em me separar, ele dizia que eu não ia conseguir me sustentar e que ia ‘resolver do jeito dele’. Passei a dormir com o celular na mão.”

Desde que Glória Pires, aos 57 anos, decidiu parar de pintar os cabelos e assumir os fios grisalhos, em 2020, depois de gravar a novela Éramos Seis, na Globo, toda entrevista que dá, tem sempre que responder a mesma pergunta: por que você optou por deixar os cabelos brancos?

A cena é comum. Um barulho de taças, um abraço demorado, um casal entrando junto numa festa. Ela, elegante, segura, rindo com vontade. Ele, mais novo, sem pedir licença para existir ali. Aí vem o comentário, quase automático, dito como quem fala do tempo.

A separação de Ivete Sangalo, 53, e Daniel Cady, 40, foi comunicada com o tom que muita gente diz admirar: respeito, diálogo, foco na família. Em novembro de 2025, os dois publicaram uma nota conjunta pedindo privacidade e dizendo que seguiriam unidos no que importa.

Tem uma cena que explica muito do que está acontecendo no Carnaval de rua. Chove, alguém abre uma sombrinha no meio da multidão e, de repente, a palavra “tia”, usada como rótulo, vira motivo de riso e de reação. Dessa história nasceu um bloco paulistano criado por pessoas com mais de 50 anos, com a proposta de dar voz e presença a quem nem sempre se viu representado na folia.
Iniciei minhas atividades como jornalista na década de 70. Trabalhei em alguns dos principais veículos nacionais, como O Estado de S. Paulo e Jornal de Brasil. Mas a maior parte da minha carreira foi construída no exterior, trabalhando para a emissora britânica BBC, em Londres, onde vivi durante mais de 16 anos. No retorno ao Brasil, criei um jornal, do qual fui editora até me voltar para a internet. O 50emais ganhou vida em agosto de 2010. Escolhi o Rio de Janeiro para viver esta terceira fase da existência.
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