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Como viveríamos se soubéssemos o dia em que vamos morrer?

08/08/2022
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Pesquisadores estudaram um estilo de pensamento chamado “reflexão sobre a morte” e notaram que as reações são diferentes se as pessoas pensam em morte de maneira ampla

Maya Santana, 50emais

Sempre achei que deveríamos falar mais da morte. Afinal, não dá para esquecer que o único fato certo da vida é que, mais cedo ou mais tarde, vamos todos desaparecer. E nenhum de nós, a rigor, tem a menor ideia para onde vamos depois que cessamos de viver aqui na terra. Eu pensava que, tendo mais consciência que somos finitos, que podemos ir embora a qualquer momento, as pessoas seriam mais compreensivas umas com as outras. A vida seria melhor e mais alegre, porque todo mundo tentaria usufruir da existência da forma mais plena possível, em sintonia com a natureza, com os animais e com os outros seres humanos. Para minha surpresa, pesquisas mostram que não é nada disso. Se soubessem a data de sua morte, as enquetes mostram, as pessoas seriam ainda mais intolerantes do que já são.

Leia a reportagem do site da BBC Brasil:

Você e todos os que já conheceu irão morrer um dia. De acordo com psicólogos, essa verdade desconfortável fica escondida no fundo de nossas mentes e acaba direcionando tudo o que fazemos, desde ir à igreja, comer vegetais e fazer ginástica a nos motivar a ter filhos, escrever livros e fundar um negócio.

Para pessoas saudáveis, a morte geralmente exerce uma influência subconsciente. “Na maior parte do tempo, passamos os dias sem pensar em nossa mortalidade”, diz Chris Feudtner, pediatra e especialista em ética do Hospital Infantil da Filadélfia e da Universidade da Pensilvânia, nos EUA. “Lidamos com isso focando em coisas que estão mais à nossa frente”.

O que aconteceria, no entanto, se não houvesse dúvida sobre o momento de nossa morte? E se de repente soubéssemos exatamente o dia e como morreríamos? Embora isso seja impossível, considerações cuidadosas desse cenário hipotético podem lançar luz sobre nossas motivações como indivíduos e sociedades – e dar pistas de como usar nosso tempo limitado na Terra da melhor forma possível.

Primeiramente, como a morte define o comportamento no mundo? Nos anos de 1980, psicólogos passaram a estudar como lidamos com a enorme ansiedade e o medo da percepção de que não somos nada além de “peças de carne conscientes que respiram e defecam e que podem morrer a qualquer momento”, como define Sheldon Solomon, professor de psicologia de Skidmore College, em Nova York.

A teoria de gerenciamento de terror, cunhada por Solomon e colegas, sugere que os humanos se apegam a crenças culturalmente construídas – de que o mundo tem sentido, por exemplo, e de que nossas vidas têm valor – a fim de afastar o que de outra forma seria um terror existencial paralisante.

Em mais de mil experimentos, pesquisadores concluíram que, quando lembrados de que vamos morrer, nos apegamos mais às nossas crenças e nos esforçamos para aumentar o senso de valor próprio. Também ficamos mais defensivos em relação as nossas crenças e reagimos com hostilidade a qualquer coisa que as ameace.

Mesmo acenos sutis à mortalidade – como um flash de 42,8 milissegundos da palavra “morte” na tela do computador ou uma conversa que comece numa casa funerária – são suficientes para engatilhar mudanças comportamentais.

Como são algumas dessas mudanças? Quando lembrados da morte, tratamos aqueles que são semelhantes a nós em aparência, inclinação política, origem geográfica e crenças religiosas de forma mais favorável. E nos tornamos mais desdenhosos e violentos com pessoas que não compartilham dessas semelhanças. clique aqui para ler mais.

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Iniciei minhas atividades como jornalista na década de 70. Trabalhei em alguns dos principais veículos nacionais, como O Estado de S. Paulo e Jornal de Brasil. Mas a maior parte da minha carreira foi construída no exterior, trabalhando para a emissora britânica BBC, em Londres, onde vivi durante mais de 16 anos. No retorno ao Brasil, criei um jornal, do qual fui editora até me voltar para a internet. O 50emais ganhou vida em agosto de 2010. Escolhi o Rio de Janeiro para viver esta terceira fase da existência.

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